PEÕES DE GRIFE – o telejornalismo em capítulos. Parte 17

COM O COLLOR NA AMAZÔNIA

 

Como presidente foi um desastre, mas para render reportagens Collor era muito bom. O presidente João Batista Figueiredo também (mais adiante tenho histórias com e sobre e com ele). A diferença é que o Collor produzia cenas e eventos para aparecer. Com o Figueiredo era tudo no improviso e no susto. Então, eleito, Collor inventou de prestigiar os militares do Exército com uma visita, depois de agrados à Marinha e à Aeronáutica. Eu estava fazendo reportagens em Porto Velho, a capital de Rondônia, e me desviaram para Manaus, a capital do Amazonas. Despedi-me da equipe local de Porto Velho e desembarquei em Manaus para trabalhar com outra equipe local. Esse deslocamento e encontro de equipes é uma programação para evitar mais gastos, mas gasta-se um bom tempo a desenvolver o básico de conhecimento pessoal necessário que precede o trabalho a fazer. O lado bom é conhecer profissionais diferentes, de outras partes do Brasil, um país tão grande e diversificado.

Foi o tempo de chegar a Manaus e me enfiar no hotel. Uma noite de sono e logo estaríamos num ônibus com jornalistas que sairia do quartel do Exército para um acampamento na selva. O presidente assistiria a demonstrações de sobrevivência na selva. A aventura prometia.

No dia seguinte, bem cedo, chacoalhávamos no ônibus. O menos ruim é que tinha ar condicionado. Quando nos largaram no acampamento é que começou o sufoco. Sufoco é a palavra exata para o calor na mata. A floresta é úmida, o ar parece líquido. Para os cabelos femininos é um desastre. Em poucos minutos, os fios estão grudados no couro cabeludo, na testa, na nuca. Para os homens não faz diferença, mas, para as mulheres… há diferenças sim. O repórter, homem, com aparência suada na selva faz parte da realidade, tem o charme do Indiana Jones. Não deve aparecer suado, mas aceita-se. Mulher, passando pela mesma realidade, com cabelo curto ainda se salva, mas tem a maldita maquiagem que escorre pelo rosto. Um horror! Só um rostinho muito bonito, muito perfeito, para driblar tanto. Quem dera a preocupação fosse só com a apuração da notícia; neste caso, com as armadilhas da selva.

Mais do que a previsão do desastre que seria a aparência, saímos muito cedo de Manaus e meu estômago começava a dar sinais de desespero. Nisso eu me conheço bem. A fome começa a se manifestar e acontece a imediata encarnação do mau humor. Em minutos, chegam a raiva e a absoluta impossibilidade de raciocínio. Meu estômago estava se lixando para o fato de estarmos na selva. E eu não tinha nada para acalmá-lo. Em volta, nenhum movimento, nem dos jornalistas sonolentos e suados, debaixo de um toldo com bancos e mesas de madeira. Ali ficamos até a chegada do helicóptero com o presidente e a comitiva, horas depois.

Collor chegou, como sempre, altivo, esbanjando intimidade com a situação. Pena dar no que deu. Um presidente jovem, eleito aos quarenta anos de idade, o primeiro pelo voto popular, em 1990, depois dos vinte anos de regime militar. Renunciou à presidência em 1992 após um processo impeachment. O homem tinha porte de estadista. Era bonito de se ver. Alguma coisa em mim o compara ao porte de Dom Pedro II. Vestido com a farda do Exército, o presidente saiu do helicóptero e caminhou a passos largos e decididos, olhar no horizonte, na direção do alojamento reservado às autoridades. Tirou uma reta e foi. Os jornalistas se embolando em volta dele. Eu, no bolo, tentava uma entrevista. Não faço a menor ideia do que perguntei, o que lembro é de ter feito a mesma pergunta duas ou três vezes e o homem nem me olhou. Seguiu imperturbável.

– Eu preferia o Figueiredo que engrossava, mas respondia. – deixei escapar, irritada.

Ao menos serviu para ele cravar os olhos na minha humilde pessoa. E foi tudo. Sumiu no tal horizonte para onde voltou a olhar. Presidente e comitiva foram conduzidos para um alojamento com ar condicionado. Nós, da imprensa, voltamos para debaixo do toldo. Por ali fiquei por um longo tempo, suando ao som do estômago roncando. Até que surgiu um soldado com um panelão fumegante. Sinceramente, eu não estava nem aí para o que era a comida, só precisava comer. Arroz, feijão, macarrão… ótimo. Cheia a pança, me acomodei num canto para um cochilo. Acordei com a malta em polvorosa. Era outro helicóptero se aproximando. Desse aparelho saíram a primeira-dama e uma amiga. As duas vestidas com fardas do Exército e sapatos de salto alto. Momento fashion na Amazônia. Logo foram levadas para o alojamento fresquinho. Nós voltamos todos para debaixo do toldo. E eu voltei a cochilar. Acordei com o movimento dos militares para a saída do presidente. Ia começar a demonstração de sobrevivência na selva.

Mais uma vez, o homem caminhava a passos largos junto com os militares. Mais uma vez, olhando reto, em frente. Uma demonstração de energia que me obrigou a correr muito naquele calorão. Uma situação tão louca que chegava a ser engraçada. Os militares na frente, ágeis e habilidosos, guiando o presidente na mata, e o bando de repórteres, cinegrafistas e fotógrafos atrás, desorientados, correndo e tropeçando. Não que sejamos tolos, mas raramente tem alguém para nos conduzir. Vamos no bolo, esbarrando uns nos outros, nas surpresas, e ainda tendo que ver, ouvir e registrar. A gente tem que chegar antes, sair depois e chegar antes de novo. Assim, corríamos pela selva, até surgir uma ponte no caminho. Uma ponte de toras de madeira. Mais exatamente duas toras, com uma infinidade de estacas com pontas afiadas embaixo apontando para cima e cordas servindo de corrimão. Os militares e o presidente passaram sem pestanejar. Eu e mais meia dúzia de jornalistas empacamos. Aquelas estacas apontando para a gente…

– Cái aqui que tu morre, jornalista infeliz! – me pareceu o que disse uma das estacas. E as outras riram.

Enquanto avaliávamos o poder das estacas, militares, presidente e comitiva se afastaram. Por sorte, o cinegrafista e o técnico eram espertos e corajosos. Passaram junto com o presidente e os militares pelas toras.

– Por aqui! – alguém gritou.

Havia outro caminho sem passar pela ponte de toras. Por que não nos mostraram esse caminho? Corremos mais para encontrar a comitiva. Encontramos os militares descascando uma cobra, um dos petiscos da selva. Cobra descascada, em rodelas, na brasa.

– Quer provar? – um militar me ofereceu.

– Comi muito no acampamento, obrigada. – respondi.

Próxima parada, uma clareira na selva com uma mesa maravilhosa de frutas. Entre as frutas, um coco fazia sucesso.

– E isso, quer? – o militar me estendeu um coco aberto.

O problema é que o recheio do coco se mexia. Olhei com mais atenção. Avistei minhocas clarinhas, curtas e gordas se contorcendo.

– Continuo satisfeita com o almoço. – recusei.

– Tem gosto de coco… – o militar insistiu.

– O problema é que se mexe… – lamentei.

O presidente provou uma minhoca. Ou fez que provou, não vi direito. Do jeito que era, é capaz de ter comido a minhoca. Peguei uma simples e estática maçã e dei adeus ao bicho-do-coco, ou gongo, uma larva que se desenvolve no fruto do coqueiro. Continuamos a caminhada. E chegou o momento de gravar a passagem, quando o repórter aparece no vídeo. Além do cabelo grudado na cabeça e da maquiagem borrada, o cansaço estava na cara. Até gravei, mas eliminei a passagem na edição como já havia programado antes de gravar.

Pode? Poder, pode, mas é o momento em que o repórter assina a matéria, com nome e rosto. O telespectador liga o trabalho ao repórter. Eu sempre achei que o vídeo do repórter é importante, mas tem hora. Há reportagens que não cabe e fim. Mas, durante algum tempo, o vídeo foi obrigatório. Se o repórter não gravasse, também não gravava o texto nem o nome aparecia. A reportagem ia para a narração do apresentador do telejornal. Foram dois momentos interessantes e tensos: a temporada do “vídeo obrigatório” e a ideia do “vídeo participativo”. Participativo dá para se entender que o repórter participa. Deus meu, o que se fazia para participar… É o repórter estar inserido na matéria. Não basta aparecer, fazer uma ponte entre duas informações, ou cobrir com a própria imagem um momento em que faltam imagens para o texto – as razões que me convenciam do tal aparecimento. Tinha que participar! Aí, foi um tal de mostrar o óbvio…

Esta caneta estava em cima da mesa. – era o repórter mostrando uma simples caneta.

– A entrada é por esta porta. – era o repórter entrando pela simples porta de entrada.

Pior é mostrar “este” prédio de quinze andares. O repórter, com menos de dois metros de altura, e o prédio com uns quarenta e cinco metros. Aí o cinegrafista começa fechado no repórter e tem que fazer malabarismos com a lente para mostrar o prédio que o repórter está apontando. Quadro aberto, o repórter vira uma coisinha ridícula na cena do prédio. Foi também o início das demonstrações muitas vezes desastradas. Geringonças experimentais com o repórter de cobaia. Estava aberta, para sempre, a temporada de repórteres se exibindo em situações de risco. Correr riscos para aparecer nunca foi a minha praia, bastavam-me os riscos inevitáveis ou passar pelos que não sabia serem riscos. O primeiro vídeo participativo que gravei, eu nem sabia que era participativo. Foi no braço da estátua do Cristo Redentor, no Rio. ( A história está no Desculpem a nossa falha ). Achei que seria um bom lugar para mostrar que subimos na estátua e gravei chamando a atenção do quanto era alto. Tempo depois, já sabendo o que era um vídeo participativo, me posicionei na ponte de tábuas e cordas que moradores de uma comunidade pediam para ser trocada por uma de concreto. Pois foi eu começar a falar e a ponte caiu. Fiquei pendurada, com a mão direita agarrada a uma das cordas que serviam de corrimão e a esquerda segurando o microfone plugado no fio da câmera. Foi muita sorte o cinegrafista, Roberto Padula, ter conseguido se manter em terra firme com o puxão no fio do microfone, consequentemente, na câmera. Meus pés ficaram a um palmo do rio de bosta que passava por baixo da ponte. Se ao menos tivéssemos a gravação da ponte caindo com a repórter, a audiência estava garantida. Não tínhamos. Não deu. Eu mal tinha começado a falar e o cinegrafista foi um herói por ter evitado que a câmera e a repórter caíssem no rio de bosta. Sem imagens da ponte caindo, comigo, como explicar que a ponte frágil, motivo da reportagem, havia sumido enquanto estávamos lá e não havíamos gravado? Não expliquei. A reportagem foi exibida com a reivindicação dos moradores, que pediam uma ponte de concreto no lugar da mostrada – antes de cair – de tábuas e cordas. No fim da reportagem, o apresentador do telejornal contou que a ponte frágil havia caído e que a reivindicação dos moradores havia se tornado mais urgente. Na verdade, nós saímos meio que corridos da comunidade. No fim das contas, havia uma ponte, ruim, mas havia. Mas “a repórter derrubou a ponte”, “Foi a mulher pisar na ponte para a ponte cair”. Numa comunidade com centenas de pessoas, bastam dois ou três darem ideias que está feito o estrago. Então, eu fui a culpada pela queda da ponte. E corri de lá.

No acampamento da selva, militares, presidente e comitiva para o alojamento com ar condicionado, imprensa para debaixo do toldo. Em situações assim, acho mais engraçado quando alguém diz que é uma profissão glamorosa.

A noite chegou debaixo do toldo. Apareceu uma lua cheia digna de ser reverenciada. Selva, silêncio e lua cheia. Eu tão longe de casa. Bonito e tenso. Barriga roncando de novo. Comecei a pensar nas rodelas de cobra assada e no gongo do coco com menos nojo. O sentimento de nojo é relativo, acredite. E comida de quartel pode ser uma delícia. Enchi a pança de novo com arroz, feijão e, se a memória não me falha, frango. Devíamos esperar pelos exercícios noturnos. Não tínhamos a menor ideia do que seria isso, mas qual a outra opção a quilômetros de distância da civilização? Esperamos um bocado. Reunidos debaixo do toldo, revisamos as imagens gravadas na parte da tarde. Fora a minha passagem, o resto estava muito bom. A passagem ia para o lixo, com certeza.

Lá pelas dez horas da noite chegaram dois caminhões do Exército. O presidente e a comitiva se instalaram na caçamba de um deles. A dificuldade foi a subida de um ministro, exageradamente animado e desequilibrado. O presidente olhou feio e falou grosso:

– Comporte-se ministro!…

Daí em diante, o ministro ficou imexível.

Os jornalistas se instalaram na caçamba do outro caminhão. E fomos pela estrada afora. Uma “via rural não pavimentada”, como esclarece o manual de estudo para provas de habilitação no Detran (Departamento de Trânsito). Ou seja, cheia de buracos. Os caminhões rodavam aos trancos e as rodas levantavam muita poeira. O caminho só não era totalmente escuro graças à benevolência do luar.

Foi um percurso curto. Os militares orientaram os jornalistas a se acomodar na subida da mata, na beira da estrada. Lá ficaríamos à espera não sabíamos de quê. Só tinham nos dito que veríamos exercícios noturnos de emboscada. Ao menos a noite trouxe o luar e afastou o terrível calor do dia.

– Por favor, silêncio! – alguém gritou na estrada. – Vai começar o exercício!…

O aviso ecoou pela mata. O cinegrafista apertou o botão da câmera para gravar, embora nos faltasse otimismo de registrar alguma coisa naquele breu. Atualmente, as câmeras são quase capazes de gravar até pensamentos, mas naquela época não. De repente, surgiram homens com uniformes de selva, rostos pintados de preto e armas na mão, aos berros. Gritos, tiros, explosões … e fim. Todos de volta aos caminhões. De volta ao acampamento. De volta para debaixo do toldo. O presidente e a comitiva foram levados para o alojamento refrigerado onde passariam a noite. E nós?

– Vocês vão para um alojamento perto daqui. – comunicou um militar. – Todos no caminhão!

Voltamos à caçamba do caminhão do Exército. Mais alguns quilômetros de chacoalhadas e chegamos a um amplo alojamento com dezenas de camas de solteiro onde dormiríamos todos.

– O banheiro é ali. Quem quiser tomar banho, fique à vontade. – disse o militar mostrando a direção.

Pelo que vi, todos quiseram tomar banho, porque estávamos todos muito sujos. Eu e outros levamos toalhas e sabonetes, sabíamos que passaríamos a noite na selva. A fila para o banheiro era imensa. Homens e mulheres em iguais condições. Quando chegou a minha vez, não havia onde pisar no chão do banheiro de tão molhado e sujo. Tomei banho de tênis. O cabelo, pior do que estava não podia ficar, então, lavei. E fui dormir com o cabelo molhado. No meio da madrugada, acordei com um ataque de espirros.

– Para de espirrar!

– Dorme!

Eram os coleguinhas irritados com os meus espirros. Fui espirrar fora do alojamento. Peguei um resfriado dos bons. No dia seguinte, acordei com febre, o corpo doendo e uma imensa vontade de estar na minha casa, mas ainda tinha a parte final da visita do presidente: a despedida. Simples assim: o presidente saiu do alojamento, entrou no helicóptero e partiu com a primeira-dama e a amiga. Em outro helicóptero foi a comitiva. E aí você talvez me pergunte: Fernanda, precisava passar a noite na selva se tudo terminou no dia anterior? É que a tal demonstração dos exercícios noturnos obrigou o presidente e a comitiva a pernoitar no alojamento da selva; se o presidente fica, os jornalistas também ficam. Nunca se sabe o que acontece. Não tínhamos informações que a parte da manhã seria só de despedida, mas, ainda que tivéssemos, teríamos que ficar.

Voltei para Manaus muito ferrada, com a responsabilidade de editar a matéria na emissora local e gerar (enviar) para o Rio de Janeiro. Espirrava, fungava e editava. Uma dor de cabeça de enlouquecer. Não via a hora de desabar na cama do hotel. Foi terminar a edição, gerar a reportagem, ter a certeza que estava tudo certo no Rio de Janeiro e ir para o hotel.

– Você não quer ir a um médico? – perguntou o cinegrafista preocupado.

– Não precisa, é gripe. Vou para o hotel dormir. Amanhã cedo pego o voo de volta pro Rio. Vou ficar bem, obrigada.

Mas não fiquei. Piorei consideravelmente. Decidi voltar para o Rio no primeiro voo, no mesmo dia. É claro que não tem ponte-aérea de Manaus para o Rio de Janeiro, o equivalente a uma viagem do Rio a Lisboa (o Brasil é imenso!). Daí o desespero quando a moça no aeroporto me disse que não tinha vaga nos dois voos seguintes.

– Prefiro morrer no Rio de Janeiro, ao lado da minha família, mas se não tem vaga no avião, morro aqui mesmo. – dramatizei, fungando, acomodada em cima da mala no carrinho de bagagem.

É uma situação delicada para uma empresa aérea. Uma passageira disposta a morrer diante do balcão, especialmente uma passageira repórter de televisão. Não que seja mais importante que qualquer outra pessoa, é que, por motivos óbvios, a repercussão é garantida. Mas também é complicado permitir que uma pessoa em tal estado de falta de saúde embarque. Enfim, surgiram vagas nos dois voos: um direto para o Rio de Janeiro e outro com escala em Brasília. Eu estava me sentindo tão mal que preferi o voo com escala. Na parada em Brasília, avaliaria minhas condições físicas e mentais para seguir ou não para o Rio. Caso me sentisse pior do que estava, ou seja, à beira da morte, ficava com a tia Leia em Brasília.

Ao pousar na capital do Brasil, senti que dava para seguir viagem. Cheguei ao Rio achando que boa parte do resfriado era psicológica. Sei lá, a gente sente umas coisas esquisitas, sem explicação. De volta ao Rio e de volta à minha querida caminha. Uma boa noite de sono e eu seria outra pessoa, mas, no dia seguinte, não fui. Tentei levantar da cama e senti como se o meu corpo tivesse passado por um moedor de carne, duas vezes. Medi a temperatura e o vermelhinho do mercúrio foi aos 39 graus. Aí me bateu a paranoia da malária e corri para o médico. Na hipótese de ter contraído malária, era melhor ter ficado em Manaus onde os médicos são especialistas nessa doença. Bendito seja, foi apenas um resfriado tamanho GG como tudo na Amazônia. Tudo isso para uma reportagem de um minuto e meio. Assim é.

Por lembrar de tudo que é GG na Amazônia, a seguir vamos para as baratas gigantes.

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