UMA ODE AO BIDÊ

IMG_0770 Para que não conhece, bidê é a peça de louça ao lado do vaso sanitário.

 

Como faz falta um bidê”… Minha tia Leia tinha a mania do bidê e eu ria. Como ela podia dar tanta importância ao bidê? O tempo passou. Certo dia percebi que o uso constante do papel higiênico estava causando algum estrago numa região que considero frágil demais para a finalidade. Consultei um médico que me orientou:
– Use sempre o bidê ou o chuveirinho ( ducha higiênica ). Só use o papel higiênico para secar, levemente.
Eureka!… Mudei a forma de lidar com a região sensível demais para um propósito tão, me parece, grotesco. Na exaltação à maravilha da criação do corpo humano, penso que tem um erro justamente na, digamos, saída do mais podre que existe em nós, fisicamente. Enfim, o ânus. É um canal muito delicado para a passagem de algo tão grosseiro. Bendito seja, não é o meu caso, mas há pessoas com extrema dificuldade em expelir o que o corpo rejeita. Um dia, os problemas aparecem. Não que o uso do bidê ou do chuveirinho resolvam tudo, mas ajuda a evitar maiores estragos como o aparecimento e/ou agravamento de hemorrágicas, por exemplo. ( Gente, este é um texto de utilidade pública! E acho que também privada rsrsrs ). Menos grave, mas em alguns casos muito incomodo e dolorido, a higiene constante após um xixizinho básico também evita a formação de furúnculos na virilha. Enfim, admito que o bidê e/ou o chuveirinho são fundamentais; para homens, mulheres e crianças. E aí me deparei com a situação: as construções mais modernas aboliram o bidê dos banheiros ao lado do vaso sanitário. Ao lado, em frente, embutido, seja onde for, não tem mais. Raras exceções estão em construções dez estrelas com a função bidê embutida no vaso sanitário. Nem precisa dar um saltito para o lado. No Japão, há bidês fantásticos, de alta tecnologia, assim como vasos sanitários; alguns bidês têm secador. No Brasil, o chuveirinho vem ganhando importância na economia de espaço. Mas, na Europa, onde surgiu, no século XVIII ( não me proponho a contar a história do bidê ) a peça não existe nos  banheiros dos hotéis moderno-funcionais. Nem bidê, nem chuveirinho. Não por nada, uma amiga portuguesa me pediu que levasse, do Brasil, de presente para ela: um chuveirinho.
Ainda imaginei, nas viagens, aflita pela falta do bidê, que o chuveiro, para o banho, que na maioria dos lugares é móvel, chegasse ao vaso sanitário. Onde tentei – e vamos combinar que trata-se de um malabarismo – o chuveiro não chegou ao vaso sanitário. Encontrei banheiros equipados com banheiras fabulosas, com uma dezena de jatos d’água, hidromassagem, mas bidê? … nananina. Chuveirinho? … nananina.
Nas excursões, os hotéis são escolhidos pelas operadoras de viagens. A preferência são os de construção mais recente, com muitos quartos, até com algumas modernidades interessantes, mas… sem bidê ou chuveirinho. Em Portugal, para onde vou com frequência e por conta própria, nossa casa na aldeia tinha bidê, exigido por mamãe na reforma. Em Lisboa, dou preferência a um hotel antigo – pela localização no centro … e pelo bidê no banheiro. E não é qualquer bidê. São bidês com torneiras. Sempre achei que os bidês com o repucho de baixo para cima são anti-higiénicos. Imagino que a sujeira volte para onde saiu, não gosto. Os de torneira são perfeitos. Os chuveirinhos me parecem ainda melhores pelo fato de se continuar no vaso sem o saltito até o bidê.
Enfim, agora compreendo o fascínio de minha tia pelo bidê. Mamãe também preferia o bidê ao exagero de papel higiênico. Vi na internet sites que ensinam como usar os bidês. Há jovens que nem sabem do que se trata nem como se usa. Fica dica.

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